terça-feira, 8 de novembro de 2011

Indo...

"Ainda ontem pensei em ir embora. Mas um vento suave bateu nos meus cachos e levou consigo minha coragem e deixou no meu peito o maior amor do mundo, que desconhece os limites da razão e que é teu, por mais que lateje aqui. Sem licença para te amar, mas com a permissão das hipérboles sem as quais os poetas são mortais, para expressar em palavras que nada tem o mínimo sentido sem você.
Todos os dias eu ensaio a despedida e lembro-me dos teus olhos que me devoram por inteira e que por mais que passeiem por aí, sempre voltam. Lembro-me das lágrimas que saíram deles e que já enxuguei querendo um pouquinho da tua dor. Lembro-me dos mesmos olhos que me olham de canto quando estamos deitados para virem se eu continuo velando teu descanso. E eles sempre encontram os meus direcionados ao rosto mais lindo, ao sorriso mais ambíguo e ao único homem que foi capaz de me fazer sentir plena.
E você sempre pergunta o que é, sorri e diz que sabia que eu estaria olhando. E eu sempre respondo que estou admirando como você é tão lindo e tão meu e sorrio de volta.
Cada vez que eu tento inutilmente me convencer de que é melhor te esquecer, eu lembro que outras pessoas já apareceram no caminho e ninguém nos separou. Que apesar das dificuldades que foram e são muitas, não ficamos sem nos falar um dia sequer nesses anos. Que a sua voz sempre me presenteou com um bom dia e diariamente desejou boa noite quando seu corpo não podia estar unido ao meu.
Eu tentei me envolver com coadjuvantes, íntima do engano, conhecendo-o e tendo certeza, criando uma história e vivendo com o máximo de verdade inventada, o personagem para ver se esse amor diminuía. E cada ator-par só serviu para me mostrar quem era que realmente me fazia feliz.
E todas as vezes que eu viro as costas acreditando que vou ser capaz de dar o primeiro passo, você me ama e me desarma. E ninguém suspeita quanta cumplicidade e o tamanho do tudo que vivemos e sentimos.
Eu estou aqui deitada completamente burra, procurando estratégias de combate para guerrear sozinha. Eu decidi que isso ia acabar e lembrei-me daquela madrugada depois que apaguei as luzes e deitei envolta em teus braços, com a cabeça recostada em teu peito, ouvindo teu coração que ainda batia acelerado e que do nada, você rompeu o silêncio e disse: “Ei, eu te amo, viu?!”
Aquela bala disparada numa noite sem data especial ainda espalha pólvoras no meu interior e me faz vacilar na segurança que pensei ter conquistado após horas decidindo o fim.
O pior é saber que um dia você vai embora sem nunca ter precisado ensaiar para isso.
E eu vou descer do palco, passar pelas cortinas já fechadas e estrear o que tua coragem possibilitou. Eu vou continuar vivendo... E você continuará sendo o meu melhor amor. Até o dia em que eu enjoar da música e trocar a faixa."
(Brasileiro, A.)

Os Outros
(Leoni) 
Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros
Ninguém pode acreditar
Na gente separado
Eu tenho mil amigos mas você foi
O meu melhor namorado
Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você, os outros são os outros e só
São tantas noites em restaurantes
Amores sem ciúme
Eu sei bem mais do que antes
Sobre mãos, bocas e perfumes
Eu não consigo achar normal
Meninas do seu lado
Eu sei que não merecem mais que um cinema
Com meu melhor namorado


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Memórias

Ele chegava, tirava a roupa e se jogava na minha cama, no lugar que desde o primeiro contato fora seu. Jogava o edredom sobre seu corpo completamente despido e começava a devorar-me com os olhos mais reveladores que eu já conheci.
Eu sempre vinha atrás, de imediato, com o mesmo apetite inicial de anos anteriores e a certeza cada vez mais sólida que à minha frente, sobre a minha cama rotineiramente vazia, estava o dono do território, que marcou cada centímetro de pele a ferro e fogo, como uma tatuagem que o tempo não apaga.
Ele me tocava e o resto do mundo não existia. E sussurrando ao pé do ouvido, nada mais importava para mim. Ele foi o único com quem eu dividi o mesmo lençol e que permanecia presa após o amor que mesmo explorado intensamente, nunca vulgarizamos. Nele eu permanecia envolta e nem o sono, nem o abrir dos olhos separavam o abraço. Ele era o único que ia embora e me deixava com saudade de ser feliz.
Depois do primeiro contato, em todas as incalculáveis vezes, eu tinha a mesma sensação, antes, durante e depois de fazermos amor: ali estava, no seu lugar, o homem da minha vida.
Eu que sempre repulsei, me vi enlaçada numa teia de dependência sem doses de racionalidade. Ele sempre ia embora e nunca me levava... E me deixava devota e irreconhecivelmente apaixonada e submersa numa vida que não era minha.
Ele que se transformara no fantasma que todos os dias atormenta a minha falta de paz, desestabiliza o meu falso autocontrole e faz brotar ao menos uma lágrima de infelicidade.
Eu abriria mão de ter sido tão feliz por todo esse tempo, só para não ter a dor dessa lembrança latejando e sangrando dentro de mim.
E preferia nunca tê-lo conhecido, a não tê-lo aqui. Pelo menos até essa angústia passar...
Eu olho para o telefone, meus olhos discam o número e minha mente chega a escutar a voz impaciente e ignorante que camufla o amor que é meu, mas que a covardia dele roubou de mim.
Ele vai passar por mim fingindo não me ver, declarando força à minha fraqueza, indiferença ao meu amor, esquecimento às nossas lembranças... Mas por trás das lentes escuras dos óculos de sol, os olhos trairão todo o esforço e darão mais uma migalha para essa esperança que insiste em viver ao lado da minha solidão, que nutre a nociva ilusão de que um dia as coisas mudem e que nós continuemos um do outro, nossos!!!
(Brasileiro, A.)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Respostas

Eu só queria entrar na sua casa, enquanto a noite calada ostentava no céu a lua que um dia fora nossa testemunha e agora me era cúmplice.
Eu ficaria no canto do seu quarto, muda, invisível, apenas contemplando teus passos que ainda ontem pisaram tão firmes no chão da minha casa e no muito que te entreguei.
Eu sentiria seu cheiro espalhado pelo ambiente ermo sem a minha companhia.
Eu deitaria na cama macia que há poucas horas fora base e repouso dos nossos corpos cansados.
Eu vestiria a sua camisa e dançaria as melodias que embalaram nossos movimentos incessantes.
Você atenderia se eu tocasse a campainha?
E se eu ainda te amasse?
Você me amaria se eu ainda quisesse?
Eu abriria cada gaveta relembrando das peças que um dia eu escolhera e que tão bem caíra em ti.
E seguraria o vidro do perfume cuja fragrância continua impregnando minha pele.
E se você chegasse?
Você me expulsaria se me visse?
E me enxergaria se me olhasse?
Eu ficaria escondida até que você adormecesse.
E cobriria seu corpo sem que você acordasse.
Eu velaria seu sono e partiria sem que você notasse.
E se eu deixasse rastros?
Você me condenaria se os encontrasse?
Eu lutaria se me convencesse.
E te amaria se você me ensinasse.
Eu te esqueceria se essa dor não me lembrasse.
E se eu fosse capaz de me anular?
Você nunca faria valer a pena!
Você não cuidaria se eu me entregasse.
E eu não viveria se acreditasse...
Em tudo que seus lábios disseram
E seus olhos negaram.
(Brasileiro, A.)
Your house- Alanis
E eu não devia estar aqui
Sem permissão
Não devia estar aqui...
Você me perdoaria, amor, se eu dançasse no seu chuveiro?
Você me perdoaria, amor, se eu deitasse na sua cama?
Você me perdoaria, amor, se eu ficar a tarde inteira?
É melhor eu ir logo
Então me perdoe, amor, se eu chorar no seu chuveiro
Então me perdoe, amor, pelo sal na sua cama
Então me perdoe, amor, se eu chorar a tarde inteira

sábado, 17 de setembro de 2011

Gypsy

E depois de idas e vindas e de olhares jamais cruzados, de tanta convivência ao lado cuja distância nunca foi física, de tantos julgamentos precoces e destoantes da realidade, eu me peguei saudando a madrugada que te trouxe para mim.
Eu me vi olhando seus olhos fixos e seu riso largo. E me surpreendi sentindo sua mão firme tocar-me, como o barco que encontra o cais e ancora seguro. E com sua boca macia percorrendo a esfera diametral do meu pescoço. E me vi sugada por uma força que inexplicavelmente me atraí, como um ímã que sente a presença sem visualizar a massa corpórea. Eu me vi respirando com ânsia de saciedade e ri da inocência alheia em conviver com dois corpos que se desejam, insuspeitos.
No espelho encaro o cansaço dissimulado pelo batom cor de rosa e enxergo o contorno dos teus lábios tocando os meus, provando-me e transferindo para ti não apenas a cor pintada, mas o feitiço com que me enfeitiçastes.
Com você, eu sou tão eu. E juntos somos a essência do mistério que desconhecemos, ainda que protagonistas. Quem dera o tempo parasse nas horas em que apenas sua presença me faz sorrir, apenas sua energia me faz repelir as máscaras que costumeiramente escolho para cada dia.
A reciprocidade equivale-se à intensidade, aos gostos afins e ao ceticismo relacionado ao amor banalizado pela sociedade capitalista de largas produções. E percorremos os espaços e lacunas de quando estamos longe com as letras que traduzem tão bem a necessidade mútua de nos aproximarmos.
O rostinho bonito e metido atrelou-se ao garoto grosso numa relação de vício gradativo e consciente que hipnotizara os receios de outrora.
Sem avisos prévios e premeditações a cigana estava envolvida pelo andarilho que nem dera sua mão para ser lida. Mas dera seu corpo, suas palavras e sua coragem. Que seja! E que continue enquanto essa deliciosa “falta de paz” habitar em nós.
                                                                                                                 (BRASILEIRO, A.)

Equalize (Pitty)
Às vezes se eu me distraio
Se eu não me vigio um instante
Me transporto pra perto de você
Já vi que não posso ficar tão solta
que vem logo aquele cheiro
Que passa de você pra mim
Num fluxo perfeito
Enquanto você conversa e me beija
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho tão de perto
e me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado
E eu acho que eu gosto mesmo de você!!!
Bem do jeito que você é!!
Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim
... Quando você me abraça
O mundo gira devagar
E o tempo é só meu
Ninguém registra a cena de repente
Vira um filme todo em câmera lenta

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Selos

Recomendo o blog de Fabiane! E pelas boas experiências que tive em visitá-lo, indico os selos que seguem ao mesmo.


Blog "Caçadora de Pensamentos" de Fabiane! Boas leituras!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pele...

"Tenho tentado com o máximo de serenidade acostumar-me sem teus olhares que me desnudam, sem tuas confissões e os teus erros de português. E com o mínimo de vontade, tenho tentado acostumar-me com a tua ausência e a presença proibida nos meus dias cinzas de sol.
Tenho tentado não me lembrar da insegurança de me sentir segura em seus braços, dos beijos intermináveis e das loucuras inapropriadas para os amantes não tão cúmplices quanto nós.
Por um longo tempo acreditei que era você o príncipe que me roubaria da vida no meio da noite. E você é! É o plebeu tosco, de verbos que não concordam e neologismos que por vezes repeti. É o grosso e injusto que proferiu as palavras que eu nunca mereci. É o mesmo bruto que se arrepende e liga, mas que não sabe pedir perdão.
É você! O único que conhece exatamente cada ponto, cada série de movimentos e cada curva do caminho asfaltado por minha pele. O que sabe o “time”, o meu “time”. O único que vai, enquanto eu volto e, no entanto, chegamos juntos. O que eu desejo. O único que é mar calmo e tempestade e me fez contar com precisão cada estrela do céu.
O meu corpo que é teu tremulando e é a tua língua que abre cada poro. Eu sei que é você e que você é. O único que faz minha metade, completa. Faz minha sanidade perder o pudor e com um olhar trocamos o controle. O único por quem já larguei tudo só para ter e ser. O único que me convence sem resignações a realizar o improvável. O único para quem eu realmente me entreguei. E bastava um risinho torto, um olhar de cachorro sem dono em fila de adoção para estacionar o carro em qualquer lugar. O prazer e o risco eram a mesma medida. Embebidos pelo suor, sempre descansávamos juntos, um dentro do outro. Como a lagarta e o casulo. E tendo virado borboleta, era também a lembrança que sempre me vem à memória.
Eu tenho tentado com o máximo de tranquilidade não depender tanto de seu corpo, do seu controle e da imagem que criei para dissimular a realidade.
E tenho tentado acreditar com o máximo de verdade inventada, que você vai embora e eu vou sorrir no dia seguinte. Que outro alguém vai chegar para ser a companhia e o desejo. As mãos entrelaçadas e os beijos. Alguém que será a outra metade que você nunca pode, nunca quis. E eu vou te dar embrulhado de presente o amor unilateral que por um longo período me fez tão feliz de mentira. "
                                                                                                          (BRASILEIRO, A.)

 A Noite Perfeita
 Leoni
Da janela, a noite cai no asfalto
os carros pintam de vermelho e branco
a cidade que ela vê do alto
e dentro do peito o coração aos saltos
sai do banho e põe o som mais alto
canta e dança, a noite é uma criança
serve um drink antes da balada
misturando o medo com a esperança
E se nada acontecer a culpa é dela com certeza
Por que atrás da porta certa, é certo se esconde a noite perfeita
a noite perfeita,a noite perfeita,a noite perfeita

Mais um drink só pra entrar no clima
pra manter no rosto algum sorriso
ela busca alguém que viu num sonho
mas ela pressente que ele não existe
quando o que era pra ser divertido
pouco a pouco ficou muito escuro
toda a luz virou borrão no vidro
falta muito pouco pra tocar no fundo

Mais um drink pra esquecer de tudo
pra não ver o sol pela janela
Só queria ter alguém ao lado
Pra dizer baixinho o nome dela

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"O seu cheiro de homem continua aqui, paralisando a força que eu supunha ter e latejando todas as minhas dores por cada poro.
Eu subestimei a intelectualidade ausente, o conteúdo desfavorável para estar entre os meus e valorizei em demasia o meu falso autocontrole. “É só um beijo, eu paro quando quiser...” e eu daria todas as horas perfeitas para não ter dado o primeiro passo.
Trancada num quarto e para a vida, concentrando toda a minha lucidez para te arrancar do peito, da mente ou de onde quer que meus olhos alcancem para constatar em lágrimas mais um fracasso.
Eu preciso tanto de você para estar bem agora, quanto necessito te esquecer para voltar a viver a minha vida que deixei para trás.
Preciso que vás e que eu volte exatamente para o lugar do caminho em que me perdi.
A dor emocional é também física, haja vista o ar seco que passa a conta-gotas pelas narinas, o nó que sufoca a garganta e o coração que salta insanamente aumentando a ferida.
E agora eu preciso arrastar os pés fincados no seu solo, no seu mundo e seguir sem olhar para trás, mesmo que minha alma fique inerte e meu corpo caminhe sozinho. Hora ou outra ela volta para o seu abrigo.
Hora ou outra eu vivo uma história de verdade, em que eu e quem ainda desconheço nos faremos melhores.
Hora ou outra meu riso será sem véus e minhas palavras mudas serão decifradas, sem jamais haver nisso plenitude. Porque há sempre uma parte de nós que embora interesse à curiosidade alheia, apenas nos pertence.
E há sempre um caminho a ser seguido, mesmo que eu ainda esteja sem visão, sem perspectivas, sem muito de mim que ficou em cada momento que te entreguei. A inconsequência foi o expoente máximo da minha loucura, mas hoje estou completamente cética.
De mim, só quem acredita é a personagem que faz poesia. Depois a máscara cai..."
(Brasileiro, A.)

Big Girls Don't Cry
Composição: Stacy Ann Ferguson / Toby Gad

Espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você!
Isso é pessoal, eu mesma e eu.
Nós sempre temos algo a ajeitar
E eu sentirei sua falta
Como uma criança
Sente de seu cobertor.
Mas eu tenho
Que seguir em frente
Com minha vida
Chegou a hora de ser
Uma garota grande
E garotas grandes não choram
Contos de fada nem sempre
Têm finais felizes, têm?
E eu vejo
A escuridão a frente se eu ficar

terça-feira, 31 de maio de 2011

Carta para o meu amor

"Hoje acordei com os seus braços envoltos no meu corpo cansado.
Arrepiei-me com teu nariz fungando meu pescoço e tua voz rouca dizendo besteirinhas ao pé do ouvido.
E meu instinto de fêmea repousou entrelaçado à força dos teus brios de macho.
Preparei o café amargo com torradas quentes como você gosta e sorri vendo teu gosto gostoso gostando do que provava. E eu gostava de gostar de ti.
Despida dos medos de outrora e da tua camisa emprestada na noite anterior, concentrada, tentei escolher a roupa que cairia melhor e perdi o foco ao te ver com cara de bobo encostado na porta admirando o meu corpo que era teu.
E teu sorriso que eu amo veio sem aviso prévio em minha direção cheio de braços e abraços. Fez-me rir ao dizer-me que amava a dona das loucuras que eu fazia e dos olhos que você olhava.
Afagou meu ego e meu coração e sorriu com uma caixa embrulhada de verde (que eu detesto) e uma rosa (que eu não gosto) em cima. A cara de menino sapeca mal continha-se afim de que eu tocasse nos objetos que minha natureza repele. Com um risinho de lado e um biquinho de reprovação, transferi o embrulho para minha mão colocando a flor na cama desarrumada para logo em seguida sorrir em agradecimento por você existir em minha vida. A bandeira do Corinthians enrolava o cd da Nana Caymmi prensado na nova biografia da Clarice Lispector que eu desejava há tempos. E à minha frente um sorriso tímido acompanhado de olhos profundos e enigmáticos que eu (re)conheci desde o primeiro dia.
O cartão em folha branca com letras pretas nunca saiu da memória: “Para o amor que sempre esperei e me fez suportar as etapas... Sempre tive certeza!”
Aos prantos de felicidade nos despedimos para mais um dia de rotinas e trabalho. Sentei à mesa e escrevi as palavras guardadas de um futuro projetado no presente bom. Dobrei a folha, coloquei debaixo do travesseiro e adormeci.
Quando acordei, abri os olhos entristecidos pela abstração de ser apenas um sonho. Deslizei a mão por baixo do travesseiro e encontrei a carta escrita para o dia que você chegar em minha vida. E eu sei que nos (re)conheceremos."
*******
Acreditar apesar de... Tal qual, o provérbio judaico: “É bom ter esperança, mas é ruim depender dela.”
(Brasileiro, A.)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O luto que é meu...

"Eu pensei que morreria quando você foi embora. E pensei que sofreria velando todas as boas lembranças sepultadas pelo desgaste diário. Pensei que não saberia andar sem a muleta que há tempos me impulsionava a passos coxos. E que não seria capaz de começar, de recomeçar e continuar.
Deitei em posição fetal sentindo as dores que o medo apenas dilatava. A insegurança projetava angústias que sequer existiam, cegando-me. O corpo repousou e dormi com a aparência de uma alma morta.
E sem entender, acordei num dia de chuva só não mais forte que a coragem que eu estava sentindo.
Um besourinho deve ter me beliscado durante a noite...
E eu descobri que posso desfrutar da minha doce e leal companhia. Que o medo da solidão não faz sentido agora sei que sempre estou comigo mesma.
Descobri que tal qual divulgam numa corrente de internet, posso escolher todos os dias como agir e reagir.
Lágrimas e fundo do poço só com minha permissão!
 Posso escolher não ser a vítima, ainda que seja. Posso escolher respeitar o outro sem precisar me agredir por isso.
Posso simplesmente dizer não e não sentir dor na consciência.
Posso dar o melhor de mim e o pior também.  E posso fazer e ser feliz, desde que eu não me anule.
Sei que posso escolher sofrer com dignidade e de cabeça erguida. E sei também que não tenho o direito de me entregar a isso, pois por mais cruel que possa parecer, a vida sempre continua.
A dor sempre passa e sei que posso escolher o que fazer com ela enquanto lateja.
Há sempre escolhas a serem feitas. E mesmo inconscientemente sempre fazemo-las. Só não posso virar refém da minha passividade.
E eu escolhi viver o luto em todas as suas minúcias. Só que vou vivê-lo de jeans, sapato vermelho e blusa colorida. Ainda que eu venere o preto!"
(Brasileiro, A.)


Fragmentos de Caio Fernando Abreu:
"Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora. Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe...”
*******
"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."
*******
"É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."
*******
"E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrário: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda"

sábado, 16 de abril de 2011

Noutro lugar

"Ainda não é tão fácil respirar...
Houve um tempo em que meu coração ansiava em viver contigo os sonhos que minha mente arquitetava.
Eu te quis mais do que tudo. Quis o teu beijo mais do que chocolate branco.
E meu corpo te desejava além da saciedade.
Eu te desejava mais insanamente do que eu podia suportar.
E eu quis mais você do que ser feliz, contentando-me com o que sobrava.
Eu quis te dar tudo que eu sempre quis para mim.
Amei tanto você que doía fisicamente.
Por muito tempo o que eu mais queria era que você me ligasse, me roubasse, me amasse...
E por todo esse longo tempo eu me anulei, abri mão de mim, te entreguei meu tudo e descobri que eu não valia nada e que você não valia à pena.
Por mais lúcida que fosse minha consciência eu sofri ao descobrir que simplesmente não tinha forças para ser apenas eu de novo, sem uma verdade inventada.
Essa dor pungente ainda me alimenta e me faz temer acreditar outra vez. Todo amor que minha mente nega, meu coração anseia.
A ferida aberta em carne viva e, eu nunca mais quero me entregar de novo, sentir de novo. Nunca mais quero teatralizar a felicidade para não perder um momento para mais tarde descobrir e desejar jamais ser tão infeliz de novo.
Eu continuo sentada na poltrona desconfortável de uma sala gelada de um cinema lotado com a forte intuição de que entrei para assistir ao filme errado. Não há uma razão para continuar ocupando espaço haja vista o meu não pertencimento neste mundo estranho, ou talvez, a estranha seja eu. Que seja! O sofrimento nunca estanca. E eu nunca quis tanto não estar mais aqui.
Mas vai passar..."
(BRASILEIRO, A.)
Bijuteria
Bruno e Marrone
Composição : Chico Roque/carlos Colla
Quando a noite cai
É que eu sinto a falta
Que você me faz
Saudade em quem não passa
E nem me deixa em paz
A sombra de um amor
Que já brilhou demais...

Você foi prá mim
A coisa mais bonita
Que me aconteceu
Não pode imaginar
Os sonhos que me deu
E quanta insegurança
Me deixou o adeus...

Amei você
Sem truque
Sem maldade
Fiz o meu papel
Eu quis lhe oferecer
O que ninguém me deu
Você não acredita
Mas eu fui fiel...

Amei você
Mas hoje posso ver
Que foi melhor assim
Preciso te esquecer
Prá me lembrar de mim
A vida continua...

E no brilho
De uma pedra falsa
Dei amor
A quem não merecia
Eu pensei que era
Uma jóia rara
Era bijuteria
Das mentiras
Das palavras dôces
Vi calor no teu olhar
Tão frio
Da beleza
Do teu rosto esconde
Um coração vazio...









sexta-feira, 15 de abril de 2011

"Não me sinto, não acho um espaço meu.
Flutuo, mudo de pele.
Me faço de bicho.
Não Tiro fotos. Elas não me revelam.
Pareço invisível.
Sou solta. Sou presa.
Não tenho história ou imagino tudo o que vivo.
Pois o que vivo não explico.
Não tenho culpas, mas minha mente me condena.
Minha vida não é minha.
Não me sinto dona. Sou domada!
Ora pelo medo, ora pelo sonho.
Não tenho mundo ou todo mundo é meu mundo.
Me falta ar.
E muitas vezes ele me sufoca.
Não sei voar.
Só sinto vez em quando a brisa no meu peito.
Me alimento dos sonhos e acredito no amor.
Eu sou assim, fora de mim.
Sem me entender ou ser entendida.
A alegria me chega calma como chuva mansa.
Meus olhos se despem e é quase possível tocar minhas emoções através deles."
(Nana)

--> Como as palavras têm escorregado por entre minha capacidade de coerência, postei o belo texto de uma escritora que assim como eu, parece uma ostra. Esconde e esconde-se. Mas há muita emoção e verdade para quem consegue enxergar além. Sucesso!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

"Eu ainda não consegui passar pela porta aberta à minha frente, embora toda a minha vontade de viver e os sonhos que me definiam tenham já se ido há tempos, escorregando pelas frestas da mesma porta que antes estava supostamente bem trancada.
E pelas janelas foram-se o brilho dos olhos, o brinde da presença e o conforto da saudade.
Dentro da casa só resta o esboço da matéria física de outrem que partiu para longe e continuou ocupando espaço como um móvel que enfeita a sala. Saiu sorrindo e deixou-me chorando, sem sequer olhar para trás.
Eu gritava e você olhava. Esperneava e você olhava. Pranteava e você continuava inerte, olhando sem enxergar. E por mais que eu explanasse todo o meu latim, sua expressão jamais descongelava. E quando eu cansava você balbuciava: “Acabou?” e saía como se fora nada.
E sua frieza foi enrijecendo cada lâmina quente que aquecia meus sonhos e mesmo convivendo anos, nunca aprendi a me adaptar a qualquer situação e não sofrer por nada como você me explicou.
Eu continuo paralisada nas lembranças de uma relação despedaçada que mutilou as esperanças amorosas que sustentavam meu edifício inteiro.
Quando ensaiei meu primeiro passo, surpreendi-me com você afoito entrando pela porta para pegar o uniforme do jogo que esquecera. E ofereceu-me carona como se eu não representasse nada e continuasse a ser a vizinha antiga que jamais trocou uma palavra além do cumprimento de bons dias.
Recusei a oferta, puxei a tranca de cada janela e puxei a maçaneta da porta sem virar a cabeça de lado. A batida forte soou como os fogos da libertação e a coragem para o meu medo de ir em frente sozinha, mesmo tendo sempre estado assim.
Eu sei que a minha dor vai me (re)ensinar a acreditar. E ainda que o meu pranto seja intenso, amanhã eu estarei fora do poço, suja da lama preta do seu fundo, mas sorrindo pelo reencontro com minha parte arrancada de mim."
(Chaya)

 

Pra quem não tem ninguém pra amar

Levy Emmanuel

Chuva vem molhar a minha cara
De água doce, de alegria rara
Pra que eu viva e veja o amor aflorar
Em ti, em mim
E pelo universo a fora

Toda a vida é o que eu mais quero agora
Encontrar dentro de mim
Tudo o que perdi lá fora...

E que esta canção caia bem
Pra quem não tem amor
Pra quem não tem ninguém
Pra amar...

terça-feira, 22 de março de 2011

Libélula

"O tempo mudou lá fora e há tempos que aqui dentro não está do mesmo jeito.
As nuvens desenham no céu um prenúncio de chuva. E a minha vida se fez tempestade sem se quer ter anunciado previsões.
A minha metade lúcida questiona-me o que aprendi contigo. Cerro os olhos, inspiro o ar e sorrio em resposta.
Aprendi a saber estar feliz apesar de...
... de todos os obstáculos;
... da distância dos mundos opostos em que vivemos;
... da proibição e das lentes humanas.
E eu fui muito feliz quando não poderia, ou não deveria, apesar do amor de mentira que inventávamos a cada reencontro para vivê-lo mais intensamente do que a consciência dos homens possa imaginar.
Depois de tanto tempo, de tanto falso amor sincero, percebi que eu simplesmente não posso me anular tanto, renunciar tanto e sofrer tanto para viver isso esporádica, perigosa e inconsequentemente.
E eu aprendi que eu preciso de mais e que não sou capaz de ser tão feliz de mentira.
Ainda com os olhos fechados, como um sinal de vacilo, lembro-me da miragem refletida no espelho de teus músculos contraindo-se na repetição dos teus movimentos no momento em que teu corpo fundia-se ao meu. A pele lisa e macia dá lugar aos arrepios inevitáveis e ainda sinto tuas mãos puxando meus cabelos, apertando minha cintura e percorrendo as curvas do caminho que tão bem decoraste.
Ainda lembro-me do movimento de tua boca, que ora beijava-me, ora sussurrava aos meus ouvidos. E tua língua roçando minha pele suada e teu olhar sempre perdido, agora fixo na minha direção, desejando meu corpo já entregue.
E juntos decifrávamos o enigma da esfinge. Eu te decifrava e tu me devoravas.
E eu fui tão completa...
Os olhos agora abertos não veem além de mais nada. Metade te quer desesperadamente, mas a metade que pensa exige que o último capítulo seja escrito para a novela não perder a audiência. Sei que um lindo início propiciou um meio feliz, mas não dá garantias de um final semelhante.
O dia depois de amanhã curará as feridas das brigas jamais ocorridas e cicatrizará a dor de ir embora quando o que mais se deseja é permanecer.
Morrer. Renascer. Regenerar. Recomeçar. E suportar a dor!"
(Chaya)



DESPEDIDA
(Martha Medeiros)

"Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva;
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel, a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo."